Rádios nas aldeias facilitam a comunicação entre indígenas: conheça experiências de rádios livres em aldeias da Bahia

Existem mais de dez povos indígenas espalhados pela Bahia, alguns deles com rádios livres e comunitárias em seus territórios. Três dessas experiências integram a Rede Amnésia de Rádios Livres, em aldeias dos povos Tupinambá, Tumbalalá e Kiriri. As rádios transmitem em baixa potência e são formas simples e diretas de comunicação mediadas pelos próprios indígenas no cotidiano das aldeias.

Seja para ouvir música ou para enviar um recado para um parente que mora numa comunidade um pouco mais distante, as rádios têm tornado mais fácil a comunicação entre aldeias de um mesmo território indígena. A apropriação de tecnologias de comunicação por povos indígenas e a criação das chamadas etno-mídias, como as rádios, ampliam formas tradicionais de comunicação e criam interações interculturais. “A Rede Amnésia busca o diálogo entre os povos tradicionais através do rádio. Acreditamos na comunicação e nas tecnologias como estratégia para unir, compartilhar e produzir novos saberes, novas histórias”, aponta Sérgio Melo, Coordenador da rede.

Rádio Tumbalalá – Aldeia Pambu

 

A mais nova rádio a fazer parte da Rede é a Tumbalalá FM, instalada em abril de 2018. A Tumbalalá FM é transmitida direto da Aldeia Pambu, do povo Tumbalalá, que fica no norte da Bahia, às margens do rio São Francisco, próximo ao município de Abaré. Entre os dias 02 e 07 de julho de 2018, colaboradores da rede de rádios livres realizam um novo ciclo de oficinas do projeto Conexão Rádio Tumbalalá, como parte do processo de criação da nova rádio. As atividades contarão com produção de conteúdos e edição de spots, vinhetas, entrevistas e programas. As oficinas serão ministradas por Sergio Melo e Ronaldo Eli e tem Robson Tumbalalá como articulador indígena.

Outra experiência de rádio em aldeias é a Rádio Kiriri FM, a primeira rádio indígena instaladas na Bahia pela Rede Amnésia de Rádios Livres. A Kiriri FM está no ar desde 2012 e é transmitida diretamente do Ponto de Cultura da aldeia Mirandela, localizada no município de Banzaê, área de sertão na Bahia.

Rádio Kiriri – Aldeia Mirandela

A Rádio funciona diariamente e atinge grande parte do território indígena. Cerca de 2.000 índios estão espalhados por toda área que abarca mais de 10 diferentes aldeias. Além dos indígenas, moradores de outros 5 povoados recebem o sinal da Kiriri FM, chegando a quase 3.000 o número de pessoas que acompanham as transmissões.

Sua programação é diversificada e tem como foco principal o fortalecimento, preservação e transmissão da cultura e saberes indígenas. Nesses seis anos, Gilberto Kiriri e Ricardo Kiriri dividem o microfone da rádio com programação diária e muita música, de gêneros e ritmos variados.

No território Tupinambá, no sul da Bahia, há outras duas rádios. As transmissões da Rádio Tupinambá acontecem na Aldeia Itapuã e na Aldeia Serra do Padeiro. No contexto de conflito territorial e retomadas protagonizadas pelos Tupinambá nessa região, as rádios indígenas são ferramentas importantes de comunicação entre as aldeias e de divulgação da perspectiva própria dos indígenas, frente a ataques da mídia regional.

Uma rede colaborativa

A Rede Amnésia de Rádios Livres que desde 2006 atua com comunicação em comunidades tradicionais têm contribuído com o processo de instalação de rádios livres em comunidades indígenas e realizado oficinas de formação para radiocomunicadores e produção de conteúdo radiofônico.

Desde 2012 a rede já contribuiu com a montagem de diversas rádios livres e mais de 20 oficinas de produção de conteúdos para rádio foram realizadas. Na Bahia, compõem a rede a Rádio Kiriri, a Rádio Tupinambá, a Rádio Indaca Obá do Ponto de Cultura Casa do Boneco de Itacaré e a Rádio Aliança Educadora, do Assentamento Terra Vista do MST. A rede conta ainda com a Rádio Amnésia, ligada ao Ponto de Cultura Coco de Umbigada em Olinda, Pernambuco e com a Rádio Casa Preta, que funciona em Belém, No Pará. A ideia da Rede de Rádios Livres é articular comunidades tradicionais com foco na comunicação, voltada às demandas locais, refletindo as formas de articulação e expressão próprias de cada lugar.

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